Exposição Permanente de Lenços de Namorados

Lenços de amor


São pequenos quadrados de pano bordados, carregados de simbolismo, que eram oferecidos ao namorado pela rapariga que os bordava. isto porém só acontecia quando o namoro ia já adiantado e o amor era firme. Esta oferta comprometia o rapaz, que o usava enrolado ao pescoço, a não se dirigir a qualquer outra rapariga.


Estes lenços de mão eram bordados aos poucos, em serões e horas tiradas ao descanso, a ponto-de-cruz e ponto real.


Os principais motivos usados são as albarradas floridas, cruzes de Cristo, escudo Português encimado pela coroa real, renques de silvas e cravos, custódias, chaves, corações, passarinhos, pombas com uma carta no bico, pares de namorados segurando um guarda-sol, animais, monogramas, datas e quadras populares, onde o amor aparece considerado como a principal causa da vida.


Estes bordados podem não ocupar todo o campo quadrado do lenço, alguns há que são só «marcados» a partir de um canto, mas como as silvas e os ramos se sucedem, cerca de metade do lenço fica coberto.


Nos lenços mais antigos, de linho, bordavam-se barra de crivos, entremeios e rendas de croché; nos mais modernos, o bordado é executado sobre lenços de algodão para homem, e são rematados com rendinhas mecânicas.


As cores usadas são: ou só a vermelha, ou a vermelha e azul. Outros há apenas bordados a branco, tendo geralmente os quatro cantos bordados com figuras simbólicas e, no centro, curiosos motivos de simbolismo amoroso, pode ainda haver uma quadra em que cada verso ou é distribuído para cada lado ou canto, ou acompanha «gregas» em torno da orla.


Os versos e as quadras são tema constante nos lenços de amor. Nestes dizeres, muitas vezes sem ritmo nem rima, aparecem lentas invertidas, letras que faltam ou sobram, sílabas transpostas ou aglutinadas, e alguns tornam-se mesmo indecifráveis, apanhando-se-lhes vagamento o sentido.


Hoje já ningém entrega nem recebe «lenços de amor».


As raparigas não têm tempo para se dedicarem a esse trabalho, tão exaustivo e minucioso.


Os símbolos perderam todo o significado sentimental; os dizeres, que eram escolhidos segundo as circunstâncias entre aqueles que a tradição oral ia perpetuando de geração em geração, vão sendo esquecidos.


Os rapazes envergonham-se de os trazer ao pescoço.


Hoje os poucos que restam caem em usos utilitários, desaparecendo esfarrapados.


Os lenços apresentados na galeria, são totalmente originais, feitos pela mesma pessoa que concebeu o seu projecto e encontram-se numa colecção particular.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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